Barriga
A barriga cresceu. É. Hoje completa um ano que está desse tamanho. Agora ela sempre está na frente: sobe escadas, é a primeira a repousar sobre o regaço na cadeira, balança, é quem primeiro aparece frente ao espelho e tem até uma forma engraçadinha, sabe.
Falei que não sabia como ela tinha ido parar ali, mas a verdade é que já não me lembro mais direito como era quando não estava ali. Às vezes, lembro um pouco, mas é muito pouco, o suficiente para preencher os minutos de saudade daquele tempo.
Também falei que quero eliminá-la, mas sei que no fundo no tem mais como exterminar a bendita. É duro, não é? Saber que não a quero e mesmo assim está aqui.
(GV)
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Pipocas
Sou uma pessoa de desejos impossíveis: quero sair às 10h49 do trabalho, exatamente agora, e assistir um filme no Cine Belas Artes e comer uma pipoca de lá.
Como dizia, coisas impossíveis. Jamais poderei sair do trabalho nesse horário, o Cine Belas Artes não funciona mais, logo não vende mais pipocas. E só uma ressalva: nenhum cinema da cidade tem sessão às 10h da manhã e muito menos pipocas.
Desejos são coisas tortas.
(GV)
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Interessante
Estou recolhendo de todos os meus amigos uma lista das ’10 palavras preferidas’ de cada um. O intuito final é um trabalho literário. O curioso é ler nas palavras elencadas por cada um a personalidade e o caráter escondidos por trás de uma simples lista.
(GV)
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Status
Fiquei escondida pra te ver e sentir a minha dor pelos cantos. Como uma frase junto ao seu status no msn pode dizer tanto sobre como está sua vida agora? Você estava ocupado, e pedia ‘por favor’ pra alguém te beijar. E não era qualquer uma. No seu descritivo escrito em inglês eu vi muito do que eu já fiz um dia. A gente só escreve o que tem pra dizer em outro idioma quando não quer ninguém além da pessoa pra quem se dedica aquela frase, compartilhe o segredo. É claro, sempre tem outro que traduz o que está se passando e dessa vez, era eu. E vi no pouco que me é permitido saber de você o status para o meu próprio ícone: estou invisível.
(GV)
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O beijo
Alegra a quem distribui e aquece o coração de quem recebe. Quando é verdadeiro vem bem forte, não fisicamente, mas no sentimento, de forma que sentimos instantaneamente. Não custa nada e vale muito – pode parecer tudo clichê, mas é a mais pura verdade.
(GV)
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Esperança
Essa semana houve um momento de esperança. Algo inusitado aconteceu e dadas as circunstâncias que conspiravam a favor eu fiquei extremamente esperançosa. Engraçado como essa sensação pode se dissipar depois de ler alguns gestos e ouvir certas palavras.
(GV)
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O lembrete do guarda-chuva
Sentada aqui em meio a este evento tão fino, tão glamouroso, estou eu ao lado do meu guarda-chuva molhado. Ele não representa tão somente a chuva que eu peguei e nem o táxi de 8.30 reais que tive que pagar para chegar até aqui, mas faz uma analogia com a minha própria vida.
Eu sempre estou na contramão pelo contrário as portas que surgem. O guarda-chuva molhado traz à tona a história da menina de classe média baixa que tem sempre seu destino confundido com o de alguém que tem diversas oportunidades. Sim, eu tenho oportunidades, mas como esta, de estar sentada na sala luxuosa segurando o meu guarda-chuva pingando, talvez o chip para identificação de diferença.
(GV)
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Está na memória
Confesso, vou sentir falta da figura do Ronaldo Fenômeno em campo. Não, eu não sou uma torcedora do Corinthians, nem tão pouco de time algum, mas é que o Ronaldo em especial me remete a um tempo muito legal da minha vida.
A copa de 98 foi marcante, perdemos para a França, mas não foi isso me marcou e sim que essa foi a primeira copa em que eu estava totalmente presente enquanto torcedora. Entendia as regras, o jogo, conhecia os jogadores e estava de corpo e espírito, imersa na alegria geral que se tornavam os dias de jogo na casa dos meus avós.
Depois foi só acompanhar: veio a vitória, a derrota e a mais recente copa sem a sua presença. Assim deixo aqui a minha homenagem atrelada ao desenho de Maurício de Sousa a este jogador que de muitas maneiras compôs a história do futebol que sempre levarei como lembrança.
(GV)
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Valentine’s Day
Ela teve que ir embora. E foi. Ele, porém, ficou. Ele foi junto com ela, mas ela não ficou com ele. Parece complicado, mas é simples: ela não significava nada para ele. E em histórias como essas, quando um certo alguém não é nada para o outro, o vazio é a única certeza.
*Texto escrito em 13 de abril de 2010 – nessa época possivelmente o Valentine’s Day teria outro significado.
(GV)
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